sexta-feira, 1 de novembro de 2013

COMPARATIVO PALIO SPORTING 1.6 DUALOGIC X HB20S AUTOMÁTICO

Tive a chance de dirigir um HB20 por trecho de avenidas e ruas com trânsito rápido e lento, pistas planas e inclinadas e conversar com o proprietário do mesmo sobre o consumo e adaptação do manual para o automático. Com isso, pude avaliar melhor o meu carro e sentir as diferenças, principalmente com relação ao câmbio automático x automatizado. Desde já me desculpo por falhas neste comparativo pois não tenho a pretensão de competir com os especialistas de revistas igualmente especializadas que não ajudam muito na escolha de um modelo de carro. Sempre tenho a impressão que algumas matérias são pagas pelos fabricantes de carros (e de motos) interessados. Meu único vínculo com a Fiat é o de ser proprietário de um Palio Sporting Dualogic a pouco mais de um ano.
Logo de saída, a diferença está na quantidade de posições de um com o outro, o que pode intimidar as pessoas que nunca tenha dirigido um carro de câmbio automático. No HB20 as posições são sete (P-R-N-D-2-1-L) enquanto que do Palio são três (N-D/M-R). Para ligar o HB20 precisa estar em P com pé no freio; no Palio precisa estar em N com pé no freio. Gosto de coisas simples, então achei a solução da Fiat mais elegante com apenas 3 posições. Quem gosta de coisas mais complicadas, 7 posições é uma beleza. As posições 2-1-L são para evitar que as marchas subam descontroladamente, por exemplo, num declive acentuado, ou manter a marcha mais baixas em situações de lama ou piso escorregadios. No Palio, o carro não passa para uma marcha mais alta se não pressionar o acelerador, ou seja, numa descida não sobe de marchas se não pisar no acelerador. No caso de querer ter controle manual é só desligar o modo Auto e controlar na borboleta ou joystick.
Para sair, o HB20 precisa passar pelo R-N até chegar em D. No Palio basta puxar para o D/M na posição do meio. De cara, o creeping mostra vantagem para sair do estacionamento; o carro  move sozinho lentamente ao tirar o pé do freio, podendo ser controlado apenas pressionando o freio. Para dar ré, precisa passar pelo N e no Palio basta um movimento apenas. Neste quesito, a simplicidade do Palio em ter apenas 3 posições na alavanca de câmbio, assusta menos, e a falta de creeping pode ser compensado usado o pé esquerdo para frear facilitando a manobra de estacionamento, bem menos complicado do que com o câmbio manual que muitas vezes pode obrigar ao motorista utilizar o freio de mão para controlar melhor a manobra.
Ao sair cheguei a um aclive bem acentuado. Parei o HB20 e soltei o freio sem acelerar o carro: o carro ficou imóvel de modo seguro e sai com tranquilidade sem aquela manobra complicada em um carro de câmbio manual. Nota 10. No meu carro, eu uso o pé esquerdo para imobilizar o carro no aclive. Assim, obtenho um efeito semelhante, sem deixar o carro deslocar um milímetro sequer para trás. Neste aclive é normal ver os carros com câmbio manual descer de ré alguns centímetros e até 50 cm no caso dos motoristas menos experientes, sendo comum o motor estancar ou cantar os pneus. Poucos conseguem de primeira controlar a decida indesejada com a embreagem.
Eu comentei com o proprietário do carro que a direção elétrica do HB20 era ótima, e aí veio mais uma surpresa: a direção é hidráulica. Muito leve, fazendo com que o meu parecesse uma direção mecânica (exagerando um pouco!). Nota 10 para a direção hidráulica do HB20.
O HB20 tem volante com couro e comando de rádios e outras coisa que não me interessei em ver, mas ai vem outra diferença: não tem borboleta para trocas manuais (ou sugeridas). No painel, enquanto no meu é possível ver em que marcha o carro está engatado, no HB20 aparece apenas o N no visor. Portanto, quem gosta de “esportividade” e fazer troca (sugestão) de marchas manualmente como na F1 ou no joystick como um carro comum, esqueça. É um carro automático sem possibilidades de intervir no câmbio. Mas ai vem outra surpresa: o motor do HB20 tem muita potência. São 8 hp a mais que o meu. No semáforo, ao pisar fundo o acelerador, o carro avança firme e consistente, engolindo a distância entre um semáforo e outro e os freios potentes com ABS dá total segurança em fazer algumas idiotices sem muita gravidade.
Na questão da falta de borboleta ou usar a alavanca de câmbio para troca sequencial, sinceramente, passo 99% do tempo no modo automático comum (opção S desligado). Então, embora meu carro tenha recursos de “esportividade” faço pouquíssimo uso dele.
Agora, o ponto crucial que é muito escrito nas revistas especializadas: os soluços. Eu senti os mesmos soluços no HB20 que tem no meu carro, principalmente na tocada esportiva. A única diferença neste quesito é que no meu é possível escutar os pistões trocando de marcha e no  HB20 não. Mas, esta história de que não dá pra sentir a troca de marcha no HB20 não é verdade. Isso foi constatado pelo próprio proprietário, embora os passageiros, tanto no meu carro como no HB20 pouco notem estes soluços. Neste quesito, nota 10 pro Dualogic por ser um sistema “quebra-galho” mas que resolve bem a questão.
Em velocidade de 80 km/h tanto o HB20 como o Palio mantém uma rotação bem baixa no motor, o que pode significar boa economia de gasolina em médias velocidades. Porém, como ambos tem computador a bordo, pude constatar que o consumo do HB20 no mesmo trecho que costumo fazer em torno de 11 a 12 km/l, ele fez 8,30 km/l. Meu carro já tem 14.000 km rodados e o dele tem menos de 2.500 km e isso pode influenciar no consumo. Segundo ele, o consumo de um colega que tem o carro a mais ou menos 1 ano em médio é 8 a 9 km/l na cidade e na estrada passa dos 13 km/l (100~110 km/h). Bom, aí vem a questão do creeping e do fato do HB20 não deixar o carro afastar num aclive. Estes dois efeitos é conseguido por causa do conversor de torque, ou seja, o motor precisa aumentar a rotação para obter os efeitos desejados aumentando o consumo pela fuga de potência com o carro parado. Uma dica que passei para ele foi de que se ele parar num semáforo ou congestionamento, coloque o câmbio na posição N. Assim alivia um pouco a fuga de potência pelo conversor de torque.
O HB20S é um sedan com muito mais espaço que o meu Palio que mal cabe as compras de supermercado de uma família de 5 pessoas adultas. Isso eu constatei carregando as compras pra minha namorada. No meu caso, basta um bauleto de Bros para a compra da semana ou quinzena. Neste quesito, nota máxima para o HB20.
Agora vem a parte dolorida: quanto foi pago pelo HB20S automático e quando foi pago pelo Palio Sporting Dualogic? Uma diferença 7.500 reais: 52.000 x 44.500.
Sinceramente falando, eu não compraria o HB20S, pois além do câmbio automático não ser tão superior quanto alardeiam os especialistas tem apenas 4 marchas, prefiro câmbio automatizado pelo fator economia de combustível que notoriamente é melhor neste tipo de câmbio. Além de ter os mesmos soluços que o meu, porém sem ruídos de pistões. O motor mais potente significa consumo maior em situações, digamos, mais divertidas. No fundo, quem pode gastar 52.000 reais por um carro, não tem o consumo como prioridade na escolha do modelo de carro. Ainda assim, prefiro pegar outro Palio Sporting Dualogic Plus com teto solar e ainda ficaria abaixo dos 50.000 reais. E particularmente, não gosto do Punto.
Volto a defender o câmbio Dualogic como um meio mais simples e barato de ter um câmbio com troca de marchas sem pedal de embreagem, que tem piloto automático, paddle (borboleta), troca por joystick, ter 5 marchas adequadamente escalonada e que tem creeping nos modelos Plus.
Agora, o New Fiesta 1.6 continua nos meus planos, pois tem câmbio seqüencial de 6 marchas e dupla embreagem, garantindo troca macia de marchas, economia e esportividade com algum controle manual (tecla de troca manual e tecla S), embora não tenha a função joystick e a borboleta. Seu motor tem 12 hp a mais que o meu, com a ressalva que o comando de válvula infelizmente é por correia e não por corrente como é o Palio eTorq 1.6. Além do kit EcoPak de economia de combustível. Mas, por enquanto está precisando de alguns ajustes aqui e ali para ficar como eu quero. O que sei é que está cada mais complicado escolher um bom carro sem pedal de embreagem.

4 comentários:

  1. Penso que o custo x benefício de um motor 1.6 ou 1.8 deva levar em consideração o seu uso. Vou pegar como exemplo um carro 1.0 e 1.6. Se eu usasse o carro no dia-a-dia, em trânsito pesado (e lento), optaria por um motor 1.0, pois não adianta ter 118 cv num congestionamento. Bastam 80 cv para andar, ter ar condicionado, direção hidráulica, etc. Mas, se meu uso for para rodovia, optaria por um motor 1.6 sem dúvida, pois aí posso chegar mais rápido e com segurança nas velocidades permitidas nas rodovias, sem falar nas ultrapassagens consistentes sem sufocos. Entre um carro 1.6 e 1.8, não vejo diferença significativa para carros de passeio. O motor 1.8 acho mais indicado para um Doblô ou um Strada. Agora, se vc gosta de andar rápido, quanto maior o motor é melhor. Porém, há custos do tipo que vc citou (consumo, ipva, impostos, manutenção). Mas, não abriria mão de ter um câmbio automatizado, pois além do conforto, ele não aumenta o consumo do carro, seja no trânsito seja na estrada, além de poder dar tocadas esportivas quando quiser. Os câmbios manuais são bons, mas dirigir em congestionamento é uma tortura, principalmente para o pé,perna e joelho esquerdo. Os automáticos, em geral consome um pouco mais. Opte também por carros com ABS + EBD e air bags, pois um dia serão obrigatórios. O ABS já me tirou de meia dúzia de situações críticas. Os air bags, graças a Deus, ainda não testei. Abraços, e escolha com calma.

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  2. Olá, Mario!

    Estou fazendo pesquisa de carros sem o pedal de embreagem e três modelos estão entre os finalistas (por enquanto): Palio Essence Dualogic Plus, Onix Automático e HB20. O Palio é o único automatizado e não "automático", mas a diferença de preço entre eles e o bom desempenho que vejo em vídeos e análises me faz tender para o Palio.

    Vocês já teve experiências com o câmbio da Chevrolet?

    Abraços!

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    1. Não conheço o Onix automático. Como sempre enfatizo, o câmbio do Palio não é um autêntico automático, mas, nem por isso é um câmbio ruim.
      Pelo contrário, eu gosto mais deste tipo de câmbio do que os "verdadeiramente" automáticos. O câmbio Dualogic evolui muito. O meu já não tem tranco significativo, só não tem o "creeping", aquele efeito que tem no câmbio automatico na hora que se tira o pé da embreagem numa subida e o carro não desce, ou em manobras de estacionamento não precisa acelerar pois ele tende a se mover (frente ou ré) facilitando a manobra.
      Mas, comparativamente, os câmbios automáticos consomem mais, por conta do CONVERSOR DE TORQUE que no Dualogic não tem. O CONVERSOR DE TORQUE é que proporciona o "creeping", mas por outro lado, quando está parado, freado, consome potência, e a aceleração é mais lerda, fora o fato do cambio automático ter o dobro do preço.
      Se eu fosse comprar hoje um carro no padrão que vc procurando, eu optaria pelo NEW FIESTA 1.6 com câmbio PowerShift: câmbio sequencial de 6 marchas e dupla embreagem. Este tipo de câmbio equipa os carros de luxos BMW, Porshe, Mercedes e até o Bugatti Veron. A troca de marcha é super rápida, sem trancos e sem perda de potência. Em segundo lugar, optaria por um Palio Sporting 1.6 Dualogic Plus. Não compraria o HB20 (pós venda péssimo) e não gosto dos carros da GM e VW (não sei por quê?). É minha opinião, não quero que vc desista de seu sonho Huyndai ou GM.

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  3. Agradeço o espaço e a boa educação no trânsito, para um mundo melhor.

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